Jogadores vivem de delivery e doação para 'escaparem'

May 20, 2020

Todo fim de semana, o meia-atacante Jonatas Rey pega uma bicicleta emprestada e sai de casa para entregar hambúrgueres na cidade de Cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco. Até março, o atleta disputava o Campeonato Paraense pelo Paragominas, mas foi dispensado com o início da quarentena do novo coronavírus. 

 

O bico como entregador da “Lanchonete do Trailer”, empreendimento de uma amiga de sua mulher, Katyane, foi a forma que o casal encontrou para sustentar seus três filhos. Pelo serviço, o jogador de 24 anos recebe R$ 5 a cada entrega. “Tem dia que tiro R$ 50, R$ 70, mas também tem dia de pouca entrega que dá R$ 20, R$ 30”, disse a ele a reportagem do portal UOL.

 

Há duas semanas, o atleta espera receber os R$ 600 de auxílio emergencial prometido pelo governo federal. Ele já foi aprovado, mas o dinheiro ainda não foi liberado em sua conta. Jonatas chegou a ficar 12 horas em uma fila da Caixa Econômica Federal para sacar R$ 90 que o Paragominas lhe enviou como direitos de imagem.

 

Por todo o país, clubes de grande e médio porte têm negociado a redução salarial de seus jogadores. Mas a maioria dos clubes, sem a perspectiva de renda, optaram por dispensar seu elenco. A situação de Jonatas é um retrato das dificuldades que a maioria dos atletas profissionais do Brasil passam sem poder trabalhar.

 

De acordo com um estudo da consultoria Ernst Young para a CBF, 55% dos jogadores profissionais país ganham até R$ 1.000,00 de salário. Jonatas deveria receber R$ 2.500,00 do Paragominas, mas só ganhou uma fração disso por causa da pandemia.

 

Como Jonatas, outros atletas estão improvisando para repor ou complementar a renda perdida durante a quarentena, o que não raramente inclui sair de casa e aumentar suas chances de contágio.

 

OUTROS CASOS

 

Mesmo atletas que mantiveram o contrato na pausa do futebol estão atuando em outras atividades. O volante Ítalo Henrique, do Santa Cruz, resolveu trabalhar para ajudar a mãe, que fazia faxinas domésticas no Recife, mas teve a renda comprometida na pandemia.

 

Ítalo havia alugado um ponto para abrir uma lanchonete para mãe. Com a quarentena, o empreendimento precisou ser fechado. “Ganhamos uma boa clientela, mas fechamos o box por causa da pandemia e começamos a trabalhar em casa com delivery”, afirmou o atleta, formado na base do Santa. Ele faz as entregas na cidade a pé, de bicicleta ou de moto.

 

“Como não tinha ninguém, eu mesmo comecei a entregar junto com meu cunhado.”

 

Já o nigeriano Joseph Lawson já passou por clubes como o Botafogo e o Estanciano, ambos de Sergipe, e o Gonçalense e o Bela Vista, ambos das divisões inferiores do Rio. Há 11 anos no Brasil, o atacante, morador de Cristinápolis (SE), afirma que tinha proposta de um clube de Goiás quando a pandemia interrompeu os campeonatos.

 

Sem salário e sem reservas, ele sustenta mulher e filho a base da caridade de amigos e com a ajuda do Sindicato de Atletas do Ceará (SAFECE), que lhe enviou um vale cesta básica.

 

"Tenho que ficar de quarentena e não tenho como arrumar emprego", afirma o atacante de 27 anos.

 

Fonte: UOL Esportes

 

 

Foto arquivo pessoal

    Depois da paralisação do futebol, Jonatas faz “bico” de entregador de hambúrguer

 

 

 

 

 

 

 

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