'Água está batendo no pescoço', revela goleiro do ABC

Com a paralisação do futebol por conta da pandemia e sem uma data certa para voltar, a situação entre os que dependem do esporte está ficando cada vez pior. No âmbito estadual, o momento já bate o desespero, como revelou o goleiro Rafael, do ABC.

“O momento é muito difícil. Conversando com vários companheiros, a água já está batendo no pescoço de muita gente. Uma situação muito preocupante porque muitos atletas só têm isso, só sabem fazer isso; é único trabalho que temos. E pelo que estamos acompanhando através do noticiário, acreditamos que o futebol não irá voltar tão cedo e, nós que temos família, cada vez mais ficamos preocupados”, disse o goleiro em entrevista ao programa “Tocando a Bola”, da 98 FM, de Natal.

Se antes da pandemia, o ABC já vivia situação complicada por conta das dividas trabalhistas, imagine agora sem praticamente ter o que arrecadar. A crise atinge diretamente os atletas, que estão com os vencimentos atrasados e, ainda assim, tiveram redução no salário.

“Nós fomos chamados para conversar, acabou com uma situação que a gente não queria (redução)... Ou aceita ou vai fazer o quê?”, indagou o goleiro.

“A gente sabe das dificuldades, de tudo que está acontecendo com o clube, mas nós somos pais de família, precisamos do apoio, de atenção; não só eu como todos do elenco estamos preocupados com essa situação”.

O goleiro abecedista estendeu o assunto, lembrando que a maioria dos jogadores brasileiros, que depende do futebol para sobreviver, encontra-se no “mesmo barco” e, infelizmente não são lembrados nessa hora de dificuldade. Rafael se refere e se ressente do apoio da mídia especializada nacional à classe menos favorecida, cujo foco é direcionado aos grandes clubes e nos atletas famosos, que têm estrutura para superar essa crise.

“Tudo é feito pensando em atletas das Series A e B, ai fica fácil, mas tem que pensar nos atletas de baixo. Tem muitos aí que terminaram o Estadual em clube que não tem calendário para a sequência do ano, passando necessidades, sem terem o que comer. Então tem que se pensar em todos”, comentou.

“Eles (atletas das divisões já citadas) conseguem se manter, a gente tem muita dificuldade, eles têm uma gordura, nós que somos de clubes menores, não rodamos tanto, tem um pouco de dificuldade”.

Observando o cenário nacional, um estudo recente apontou que 90% dos jogadores brasileiros ganham em média um salário mínimo, e os outros 10% possuem razoáveis e grandes salários.

APELO

Aproveitando a oportunidade, Rafael fez um apelo para os governantes, pedindo para a volta do futebol por uma questão de sobrevivência, embora reconheça os riscos devido à pandemia da Covid-19.

“Faço um apelo para todas as autoridades: vamos pensar no trabalhador, nós sabemos que vidas estão em jogo, mas nós precisamos trabalhar, colocar o que comer dentro de casa”, concluiu.

Foto Luciano Marcos

Em termos gerais, Rafael disse que tem companheiros de profissão passando necessidades