Ao longo do tempo, a gestão Benjamim Machado a frente no Potiguar tem encontrado dificuldades quando o assunto é montagem do elenco para o Campeonato Estadual. Neste sentido, tem sido desafiado iniciar a competição com uma equipe consistente.
Benjamim está em seu quinto mandato no clube e somente no quarto, ele conseguiu formar um time regular do começo ao fim das disputas, embora não tivesse vencido o Estadual. Isso aconteceu em 2016, com a equipe então comandada pelo mineiro Bira Lopes, terminando na 3ª colocação.
Nos outros anos da administração de Benjamim, o Potiguar sempre se deu mal no começo – o que compromete geralmente o resultado final –, precisando trocar de treinador e de jogadores com a bola rolando na tentativa de melhorar o rendimento nos jogos. Tal reformulação gerou desgaste e sobretudo levantamento financeiro.
No primeiro e segundo mandatos (2005 e 2010/2011 respectivamente), o alvirrubro teve participação modesta no campeonato, sem ameaçar à concorrência na parte de cima da tabela. Em 2005, o clube terminou na 7ª colocação, em 2010 na 5ª e em 2011 em sexto lugar.
No entanto, vale destacar ainda em 2005, com a Copa RN disputada em paralelo ao Estadual, o alvirrubro acabou em 2º lugar, perdendo a final para o ABC.
Lembrando que em 2010, além do Estadual, o Potiguar disputou a Série D do Campeonato Brasileiro, perdendo todos seis jogos da 1ª fase, ou seja, o clube seria rebaixado de divisão se tivesse uma Série E.
No Estadual de 2011, o sexto lugar veio a duras penas. A equipe chegou na ultima rodada precisando vencer o Assu para escapar do rebaixamento. Os dias que antecederam esse jogo foram tenso devido ameaça dos atletas de não entrarem em campo por conta dos salários atrasados.
O Potiguar goleou o Assu por 5x2, exorcizando o fantasma do rebaixamento. Naquela partida, o “Camaleão do Vale”, que não tinha mais chance de cair e nem de se classificar, entrou com time reserva. O jogo marcou a despedida do ídolo da torcida, Canindezinho, que marcou um gol de pênalti.
Em 2012, ano em que Benjamim renovou o mandato (o seu terceiro), a equipe brigou nas ultimas rodadas contra o rebaixamento, terminando em 8º lugar num campeonato com 10 participantes – naquele ano o Caicó foi rebaixado.
Em 2013, no segundo ano do seu 3º mandato, veio à redenção. Com Benjamim segurando o bastão, o Potiguar se sagrou campeão, ganhando o 2º titulo Estadual na sua historia – o primeiro foi em 2004 com Manoel Barreto (in memorian) sendo o presidente.
Mesmo tendo erguido a taça nesse ano, o alvirrubro encontrou serias dificuldades devido ao “tradicional” início, precisando trocar vários atletas e treinadores, conseguindo engrenar pra valer somente na reta final. Só entre técnicos foram quatro – Gilberto Gaúcho, Edinho Cardoso (interino), Samuel Cândido e Celso Teixeira – sendo esse ultimo o campeão. Considerando à reformulação, um titulo que custou caro para os padrões do clube, graças ao robusto apoio financeiros dos parceiros e abnegados.
No atual mandato de Benjamim, o Potiguar sofreu no Estadual deste ano. O time começou a competição sendo goleado em casa para o Assu (1x4) e passou rodadas sem vencer um jogo. Na mudança de técnico (saiu Dario Lourenço, chegou Emanoel Sacramento) e também de atletas, a equipe reagiu, passando a vencer as partidas, mas a luta foi mais contra o rebaixamento do que por classificação ao topo da tabela. A equipe terminou em 6º lugar a frente apenas de Força e Luz e Baraúnas – o rival tricolor acabou rebaixado.
EXPLICAÇÃO GERA CONTROVÉRSIA
A falta de recursos, advinda da crise econômica e também da “debandada” de abnegados tradicionais, para formar um time forte já na pré-temporada, tem servido de alegação sempre nas entrevistas concedidas por Benjamim e seus aliados nos últimos tempos.
Sem dinheiro, contrata-se dentro das possibilidades, observando o “bom e barato”, para ao final poder honrar os compromissos. Mas se fizer uma análise entre contratações de tal gênero considerando os últimos anos, são mais erros do que acertos, e no final das contas o barato sai caro.
Ou seja, o barato necessariamente não significa ter um bom produto, depende do olhar clinico – conhecimento técnico – de quem o contrata.
E a justificativa da falta de recursos, gera controvérsia. Como é possível levantar dinheiro para demitir vários atletas e trazer outros tantos com o campeonato em curso e não conseguir viabilizar para ter um investimento melhor no time na pré-temporada, como vem acontecendo ao longo do tempo? Para a critica, a falta de planejamento no âmbito administrativo e também técnico, é o grande pecado da gestão de Benjamim no Potiguar ao longo do tempo.
Para 2019, restará saber se o passado serviu de lição ou se seguirá batendo na mesma tecla.
SENTIMENTO AO CLUBE
Mesmo alvo de criticas, Benjamim vem demonstrando ser um soldado a serviço do clube. São cinco mandatos cumpridos à risca, sem abandonar o barco, a exceção de 2016 quando ele precisou se afastar para se candidatar a vereador.
A experiência e disponibilidade de tempo também justificam sua longevidade como dirigente ativo em prol do Potiguar.
Ano e colocação do Potiguar em estaduais na gestão de Benjamim Machado:
1º mandato – 2005 (7º lugar)
2º mandato – 2010 (5º lugar) a 2011 (6º lugar)
3º mandato – 2012 (8º lugar) a 2013 (campeão)
4º mandato – 2016 (3º lugar)
5º mandato – 2018 (6º lugar) e 2019 ( ? )
Colalorou Marcos Trindade
Foto: Marcelo Diaz

Neste ano, a luta do time foi mais contra o rebaixamento do que por classificação